O Grupo Globo informou ao Palmeiras que não aceitou a contraproposta feita pelo clube para acertar a compra de direitos de transmissão do Brasileiro para TV aberta e pay-per-view. As conversas, porém, vão continuar com o torneio em andamento.

O clube exigia que não fosse aplicado redutor no pagamento do pay-per-view em razão de o clube ter fechado direitos de TV por assinatura com o Grupo Turner, dono do canal TNT, onde os jogos do Brasileiro serão exibidos.

O Palmeiras também queria luvas maiores que as pagas ao rival São Paulo e não aceitou que os jogos na capital paulista deixassem de ser exibidos na cidade pelos canais da Turner.

A exigência da Globo tem o objetivo de garantir ao canal Premiere exclusividade na cidade onde as partidas são realizadas. Essa condição foi aceita pelos outros clubes da Série A que fecharam com a Turner e, posteriormente, venderam diretos para a Globo.

Procurado pela reportagem, o diretor de direitos esportivos do Grupo Globo, Fernando Manuel Pinto, confirmou que ainda não existe um acordo com o Palmeiras, mas ressaltou que as conversas vão continuar, mesmo após a primeira rodada do Campeonato Brasileiro.

"Ainda existe uma negociação em andamento e também há engajamento dos dois lados. Não comento detalhes técnicos, para nós o importante é a coerência do modelo e a realidade, situação de mercado em que nos encontramos. Existe um tempo para avaliação e posição de cada parte, a conversa vem sendo conduzida de forma profissional por ambos, respeitamos isso e cabe a cada clube a decisão sobre seus ativos", disse ele à Folha.

Em nota, o presidente do Palmeiras, Maurício Galiotte, afirma que há diferenças financeiras e conceituais a superar.

"Cabe esclarecer que nosso posicionamento está embasado em critérios absolutamente técnicos, com ênfase em audiência, performance esportiva destacada e na relevância da marca Palmeiras, considerando não apenas a evolução dos últimos anos, mas sobretudo a perspectiva para os próximos", disse o presidente.

"Vale registrar que não há ruptura ou mudança drástica com relação aos valores históricos de remuneração e entendemos que aspectos concorrenciais possam ter tornado o processo de negociação mais complexo", completou Galiotte.

De acordo com apuração da reportagem com pessoas ligadas ao clube, o time alviverde não vai aceitar assinar um acordo com a Globo se os redutores não forem retirados do contrato. Por isso, a equipe paulista trabalha com a possibilidade de não ter seus jogos na emissora neste ano.

O canal também já considera o prejuízo de não vender pacotes de pay-per-view para os torcedores do Palmeiras. Último campeão brasileiro, o clube paulista foi o terceiro que teve mais torcedores que compraram o serviço da Globo em 2018.

Apesar de as partes manterem a possibilidade de negociação, com o início do campeonato a avaliação da Globo é de que a proposta será menor a cada rodada, já que o número de partidas também ficará menor no pacote.

A Globo oferece redutores no valor pago às equipes que assinaram com o Esporte Interativo, canal do Grupo Turner que encerrou suas atividades em 2018, para transmissão em TV fechada de 2019 a 2024. No contrato de TV aberta, a redução pode chegar a 20% por ano. No pay-per view, seria de 5,27% por partida.

Athletico-PR, Bahia, Ceará, Fortaleza, Palmeiras e Santos assinaram acordo com a Turner para exibição dos jogos de TV fechada de 2019 e 2024. A exceção é o Internacional, que tem acerto válido apenas até 2020.

Quase todos os times receberam cerca de R$ 40 milhões de luvas da Turner neste ano, mas o Palmeiras embolsou R$ 100 milhões. O clube queria luvas similares da Globo.

Sem o acordo do Palmeiras com a Globo, 26 jogos do campeonato - contra os 13 times que assinaram com a emissora- podem ficar sem transmissão na TV. Segundo a Lei Pelé, uma partida só pode ser exibida com a anuência dos dois times participantes.

No pay-per-view, o apagão pode chegar a 74 jogos, já que por enquanto nem Athletico-PR nem Palmeiras fecharam acordo para ter seus jogos exibidos nesse serviço.

Fonte: Bahianoticias


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