Sensação atinge 98% dos brasileiros, segundo a pesquisa mais recente feita pelo Ibope

Dormir durante oito horas e, ainda assim, acordar exausto. Realizar muitas atividades no dia e sentir-se sem disposição para o momento de lazer. Dirigir e, de repente, esquecer para onde estava indo. Entrar em pane ou ter um colapso no meio de uma tarefa cotidiana. São inúmeras as consequências provocadas pelo cansaço, sensação que atinge 98% dos brasileiros, segundo a pesquisa mais recente feita pelo Ibope.

O cansaço pode ser consequência de uma série de problemas, como anemia, depressão e apneia do sono (quando paradas respiratórias provocam o despertar da pessoa, fazendo com que o sono não seja restaurador). Porém, a origem de boa parte desse problema na sociedade contemporânea vem da rotina acelerada, da dificuldade de desconectar e do excesso de trabalho, que provoca a Síndrome de Burnout, ou Síndrome do Esgotamento Profissional.

Com dois empregos, além de realizar atendimentos domiciliares, a fisioterapeuta Dora Fischer, 38 anos, se viu em uma situação extrema enquanto corria contra o tempo.

“Lembro de algumas vezes, quando estava dirigindo, ter esquecido para onde estava indo. Por alguns segundos esquecia o caminho que precisava fazer. Logo retornava. Mas era frequente”, lembra Dora, que passou anos com um ritmo acelerado de trabalho e poucas horas de sono.

Nas horas livres, não conseguia aproveitar as programações de lazer, afinal estava sempre cansada. Antes, sempre tinha pique para ir a todos os shows e atividades culturais que gostava. “Depois que o ritmo de trabalho aumentou e passei a me sentir mais cansada, os fins de semana eram para descansar mais do que para me divertir. Aproveitava pouco o tempo livre”, lembra a fisioterapeuta.

Foi então que, junto com o marido, planejou uma mudança na rotina para ter mais qualidade de vida. Tomou coragem e diminuiu o ritmo de trabalho, mesmo significando uma redução financeira, e se mudou para um local onde pudesse fazer mais coisas a pé ou de bicicleta, “o que consequentemente daria mais qualidade de vida e menos estresse e cansaço”. Além disso, passou a ir para o trabalho de bicicleta.

“Fiz escolhas. Percebi que para mim estava demais e precisei abrir mão de algumas coisas para conseguir ter maior qualidade”, lembra Dora.

“Acho que o clichê de sempre me alertou, a vida passa muito rápido e precisava priorizar a qualidade de vida. Neste mesmo momento estava querendo engravidar e precisava mudar ou não aguentaria”, garante a mãe do pequeno Antônio, de 10 meses.

Desconectar

Assim como Dora, a produtora de moda Sika Caicó, 31, ligou o alerta do cansaço depois de uma situação extrema que aconteceu por causa do excesso de trabalho: chegou a ficar cega temporariamente.

“Minha vista escureceu e eu não enxergava nada. Tinha todos os sentidos, ouvia, falava, mas a vista ficou escura”, lembra Sika, sobre o episódio que aconteceu depois de 12 horas de gravação de uma campanha de Natal, o que fez com que ficasse 24 horas sem dormir.

Até o corpo dar o sinal de que algo não estava indo bem, Sika demorou a perceber que não dava para aceitar dez trabalhos de uma vez. A natureza da produção já é exaustiva por si só, afinal o prazo é sempre curto para cumprir as metas. “É cansativo porque o prazo é sempre pequeno e esse limite leva ao estresse, porque você tem que cumprir com o que é determinado pelo cliente. É cansativo pela correria”, explica.

A produtora de moda, então, começou a entrar em um nível de exaustão tão intenso que quando chegava em casa não conseguia relaxar. Pelo contrário, continuava resolvendo pendências de trabalho e não conseguia desconectar. “Ficava no celular, resolvendo coisas, não descansava quando chegava em casa”, relata. “Depois desse dia eu resolvi me cuidar. Estabelecer limites”, conta Sika, sobre a decisão de responder as mensagens só em horários determinados.

Para a produtora, boa parte da origem da “epidemia do cansaço” vem do celular. “Hoje, a primeira coisa que as pessoas fazem quando acordam, é olhar o celular. Aí você se arruma, vai para o trabalho, no deslocamento está no celular resolvendo coisas e meio-dia está almoçando com o celular na mão. Então não tem uma pausa, é informação o tempo todo e isso tem deixado as pessoas cansadas”, opina.

Desempenho

Assim, a falta de repouso está cada vez mais presente no dia a dia das pessoas, afinal “a modernidade exige 24 horas de atividades, e o preço disso é o cansaço”, destaca a ortodontista e radiologista mineira Kenya Felicíssimo. Certificada em odontologia do sono com mais de dez anos de atuação em Salvador, Kenya destaca que as pessoas estão se privando do sono na ilusão de conseguir dar conta de todas as tarefas.

“Muito comum você ouvir: ‘dormir é perda de tempo’, mas este pensamento é errôneo, o sono alimenta o corpo”, alerta Kenya.

 Estar o tempo inteiro conectado, respondendo mensagem de trabalho depois do expediente, “suga muito da gente”, reforça a nutricionista clínica e esportiva Clara Dias, 28. “Por isso, faz com que as pessoas estejam sempre conectadas, sempre cansadas, e faz com que o cortisol, que é o hormônio do estresse, seja sempre aumentado. Por isso as pessoas têm sempre essa sensação de que estão esgotadas”, explica.

Foi exatamente o que aconteceu com a cineasta e artista Carolina Falcão, 31, que não aguentou a carga horária de até 18 horas de trabalho por dia sem enfrentar taquicardia, tremedeira e lapsos de memória recente. “O cansaço, em mim, foi causado por estresse excessivo no trabalho, que desregulou meus hormônios e agora eu estou repondo eles. O que provoca cansaço é minha rotina contemporânea de trabalho”, revela Carol.

Acostumada a fazer mais de um tipo de exercício físico, a sair com os amigos e a realizar outros projetos, além daqueles exigidos pelo trabalho, Carol se viu obrigada a desacelerar o ritmo do dia a dia. Diminuiu a quantidade de demandas profissionais e pessoais, mas pelo menos conseguiu manter o surf e yoga, “que são coisas que tentam me colocar no centro da vida de novo”, justifica.

“Para evitar o estresse, tento fazer atividades que me relaxam. Mas é um processo lento, porque você vai aprendendo a viver mesmo, afinal esse estresse vem internamente. Então às vezes eu não estou nem estressada com o trabalho, mas tenho o estresse dentro de mim, sabe? Digo que sou uma pessoa estressada naturalmente”, resume bem humorada.

Acostumada com o dia a dia movimentado, a artista passou a encarar a vida com mais calma. Além do alerta do corpo, passou a refletir mais sobre sua rotina depois da leitura do livro Sociedade do Cansaço, do filósofo sul-coreano Byung-Chul Han.

“Passamos de uma sociedade de obediência para uma sociedade do desempenho. Você tem que desempenhar muito bem a sua vida, com o máximo de perfeição, e isso vai gerando um cansaço porque é irreal. As pessoas se cansam porque não conseguem alcançar esse patamar com tudo a 100%”, explica.

É aí que entra o descuido do indivíduo consigo mesmo. A cada dia que passa, as pessoas vão acumulando mais funções, já que o mundo moderno “cobra da gente que sejamos melhores profissionais e melhores seres humanos”, como destaca a nutricionista Clara Dias. “As pessoas trabalham e se dedicam tanto, querem sempre dar o melhor, que muitas vezes esquecem da saúde, de se cuidar e se alimentar bem”, alerta.

Complexo B

Fazem parte do metabolismo de carboidratos, o que faz com que o corpo aproveite melhor os nutrientes. Ex.: hortaliças e folhas verdes, amêndoas, abacate, banana, cereais, ovos, salmão, leite e derivados, carne vermelha, arroz.

Vitamina C

Antioxidante, melhora a imunidade. Ex.: limão, laranja, kiwi, manga, morango, brócolis.

Triptofano

Precursor da serotonina, faz com que a pessoa tenha sensação de prazer e bem-estar, fazendo com que consiga descansar e ter um rendimento melhor. Ex.: amendoim, castanha-de-caju, couve-flor, amêndoa, queijo.

Fibras

Faz com que o intestino funcione melhor e o corpo tenha mais absorção de nutrientes, vitaminas e minerais. Ex.: pão integral, cereais, feijão, ervilha, lentilha, grão de bico, arroz integral, linhaça, aveia, cevada, milho, trigo.

Selênio e ômega 3

São alimentos antioxidantes e anti- inflamatórios que favorecem o funcionamento do organismo. Ex.: castanha-do-pará, trigo, arroz, gema de ovo, sementes de girassol e frango.

Carboidrato

A beterraba é fonte de carboidrato e melhora a oxigenação. Por isso é interessante adicioná-la aos sucos.

Mix de nutrientes

O suco verde reúne fibras, fontes de vitamina C, complexo B e outros complexos que melhoram a oxigenação, circulação sanguínea e a sensação de disposição. Permite unir mais de um componente (vegetais como a couve e o agrião; frutas como a maçã) no suco, tendo mais nutrientes em uma fonte só.

Alimentos termogênicos

Aceleram o metabolismo e dão mais energia ao dia a dia. Ex.: guaraná em pó, gengibre, pimenta, canela.

Gorduras boas e minerais

Podem estimular a função cognitiva. Ex.: castanha-do-pará, amêndoa, castanha-de-caju.

Fonte: Correio24h


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